Imagem capa - Um ano do Hora de Brilhar  por Carla Vieira
Corporativo

Um ano do Hora de Brilhar

Hoje ao receber um mimo da Escola Brilhante, pelo meu aniversário de empresa, lembrei dessa matéria que saiu no blog da Escola Brilhante, no ano de 2017, após o Concurso Hora de Brilhar.


(Texto publicado no site da Escola Brilhante em 2017)

Texto: Carla Vieira
Fotos: Marcelo Machado de Melo



Meu nome é Carla Vieira, tenho 40 anos, sou fotógrafa, jornalista e publicitária. Sou empreendedora há quase 4 anos.

Iniciei minha paixão pela fotografia por volta de 1996, através de uma revista chamada Caminhos da Terra. Na época eu estava decidindo o que fazer de faculdade e optei pelo jornalismo, porque queria viajar o mundo e fotografar suas maravilhas. Entrei para a faculdade em 1998 e acabei me formando em duas áreas da Comunicação.

Comecei um curso de fotografia em 1997 e em 2001 iniciei profissionalmente na área, com fotografias de Casamentos e Festas Infantis. Eu sempre tinha um emprego fixo e trabalhava com fotografia nos finais de semana, para ajudar na renda. Ao longo da minha trajetória, comecei a escrever para um jornal de turismo e, como já era fotógrafa, aproveitava para fazer as fotos também para minhas matérias. Mesmo assim, mantinha meu trabalho com festas nos finais de semana.

Em um dado período em que fiquei desempregada, comecei a fotografar para uma revista (como freela) e, assim, passei a clicar diariamente e me apaixonei cada vez mais pela profissão.

Dois anos depois, sem salário fixo e com a situação financeira bem apertada, resolvi voltar para o mercado corporativo, em busca de emprego fixo na área de Comunicação. Fiz uma pós graduação em Gestão Estratégica da Comunicação e consegui uma vaga como consultora em uma grande empresa. Mas eu já estava tão apaixonada pela fotografia que não conseguia ficar apenas com o emprego durante a semana e continuava a fotografar minhas festas e ensaios fotográficos.

O mercado de fotografia começou a crescer. Eu anunciava em sites de noivas e, quando elas ligavam, eu não podia atender durante o dia porque tinha compromisso com minhas atividades de trabalho. Eu passava boa parte do meu dia me perguntando o que eu estava fazendo ali. Saía para trabalhar na segunda, já pensando na sexta-feira e no final de semana em que eu iria pegar minha câmera fotográfica. E assim, precisei tomar uma decisão em minha vida – e a fotografia mais uma vez falou alto. Decidi sair do emprego fixo e me dedicar integralmente à profissão de fotógrafa. Eu tinha um bom salário, todos os benefícios mas sabia que poderia me dedicar ao que eu realmente gostava e ter muito retorno com isso.

Me organizei por um ano, juntando dinheiro para investir na carreira solo. Em junho de 2013, saí do meu emprego fixo.


Empreender

Comecei a trabalhar sem planejamento e sem estratégia. Só sabia fotografar e acreditava que tudo daria certo porque eu já conhecia o mercado e, agora, tendo mais tempo para me dedicar, tudo seria diferente. Minha única estratégia era: aproveitar que eu já era conhecida na área de Casamentos e investir nesse segmento por um tempo, para que eu pudesse me estruturar até abrir meu estúdio e me dedicar em outro segmento da fotografia – Fotografia de Família.

Investi pesado no mercado de Casamento. Comecei a participar de feiras para noivas,  anunciar em revistas e a fazer cursos – muitos! Um ano depois, fiz um levantamento de quanto eu já tinha gasto e vi que foi cerca de 14 mil! Isso mesmo! Meu dinheiro estava acabando e eu não tinha tido retorno. Foi quando percebi que não sabia o que estava fazendo e precisava procurar ajuda.

Conheci um grupo de coaching para fotógrafos e esse foi meu primeiro contato com o mundo do empreendedorismo. Eu estava completamente cega e não percebia que havia um mundo paralelo à saber fotografar e que era fundamental para fazer o meu negócio dar certo.

Nesse mesmo período, eu tinha começado a fazer cursos de fotografia de estúdio e estava totalmente envolvida e decidida a focar nesse segmento. Passei a ser mais seletiva na busca por capacitação voltada para o que eu realmente gostaria de investir. Coloquei como meta que em 2017 eu deixaria o mercado de Casamentos e estaria mais direcionada para a Fotografia de Família e Corporativa.

Atualmente estou nessa fase. Tenho voltado meus esforços para esses dois segmentos. Como estou nesse processo de transição, sem casamentos e com poucos trabalhos ainda nos novos segmentos, a renda está muito baixa, mas isso tem me dado um gás maior para me dedicar ainda mais nas novas metas.

A fotografia de Família geralmente é feita nos finais de semana. Com o tempo “ocioso” durante a semana e com a participação em eventos com empreendedoras, vi novas oportunidades de negócios e hoje tenho ampliado meus serviços para cobertura de eventos corporativos, fotografia de moda e de produtos (para e-commerce).

Quero ampliar minha empresa e sair de micro empreendedora individual para uma micro empresária. Devido a alguns projetos que coloquei no ar no ano passado, hoje novos frutos estão surgindo, mas percebo que não tenho como fazer tudo sozinha.

Com a saudade que eu tinha de viajar e fotografar turismo, lancei o projeto Fotografar Mais, onde, uma vez por mês, levo grupos de apaixonados por fotografia para um passeio fotográfico gratuito no Rio de Janeiro (por enquanto!) e dou dicas de fotografia. Esse projeto já me rendeu workshop e convite para dar aulas de fotografia em uma escola (ainda em estudo).

Do projeto autoral Retrato de Mulher por Carla Vieira, em que comecei a fotografar mulheres (não modelos), aplicando técnicas de moda para valorizar seu estilo e mostrar a beleza da mulher comum, isso já me rendeu convite para participar de eventos de moda e, recentemente, para fotografar um editorial.


A vida de empreeendedora

Ser empreendedora é viver diariamente um mundo de possibilidades. Sonho com meu estúdio e tenho certeza de que ainda irei concretizá-lo para receber mulheres em busca de ensaios pessoais, gestantes, mães e famílias para registrar momentos de muita alegria através de minha lente. Mas, como esses trabalhos geralmente só acontecem nos finais de semana, durante a semana poderei aproveitar o espaço para fotografia de moda e produtos para e-commerce.

As ideias surgem aos montes! A vontade de fazer também! Empreender não é fácil e nos exige doses diárias de incentivo e disposição.

Hoje vivencio o terceiro grande desafio da minha vida: o primeiro foi entrar para o financiamento de um apartamento sem ao menos ter emprego fixo (na época da revista); o segundo, sair de uma grande empresa (por vontade própria) e arriscar no empreendedorismo e o terceiro, abrir meu estúdio fotográfico em meio a um país em crise.